
Aquela mesma janela que tantas vezes serviu de moldura, onde nós éramos a pintura de uma amizade perfeita. Ainda consigo ouvir, mesmo que um pouco distante, o som da sua risada, o tom da sua voz me contando dos seus planos, dos seus sonhos, e de como eu poderia fazer parte deles. Escuto cada vez que você disse meu nome, e nesses momentos sinto também seus abraços desengonçados. E aí percebo que o seu jeito brincalhão, sério e focado me faz falta.
Mas agora sua janela está fechada, e quando digo fechada, falo no sentido literal. Não sei mais de você, e nem me sinto no direito de perguntar. Pelo pouco que vejo, imagino que esteja feliz, e só isso já me basta, só a sua felicidade já consegue "enfelizar" a minha.
Antes eu achava que amizade quando era amizade mesmo, não tinha fim. E depois que a gente se afastou, eu tive certeza disso. Amizade quando é verdadeira não acaba nunca, e é por isso que, embora a gente não converse mais, embora não façamos mais parte dos planos um do outro, e embora tenhamos nos separado por motivos que não valem a pena nem serem mencionados, eu ainda rezo por você, ainda peço à Deus que ele realize todos os seus sonhos, que você obtenha sucesso no que quer que seja, e se Ele permitir, se esse for o nosso destino, que um dia a gente possa usar a janela de algum bar, algum restaurante, pra colorir a nossa pintura de novo. Nossa amizade foi uma obra de arte, uma obra prima. Nunca mais haverá outra igual, e jamais será esquecida.
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