quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Desde que você se foi.

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 Desde que você se foi, o vinho não tem o mesmo sabor, a Elis não canta do mesmo jeito, a televisão não é mais interessante, e as notícias que saem nos rádios são sempre as mesmas. E nada de você voltar.
    Desde que você se foi, eu não olho mais para o céu, pois tenho medo. Medo de que você tenha levado o brilho do sol embora, e consequentemente o da lua, e de que servem as nuvens e as estrelas sem eles dois? De que serve esse vasto mundo sem você? De que serve esse imenso coração sem amor?
    Desde que você se foi, eu não olho mais pra trás, mas eu fecho os meus olhos e anseio desesperadamente pelo dia em que vou sentir sua mão bater em meu ombro junto da sua voz dizendo Eu voltei, mas nada de você voltar.
    Desde que você se foi, me ponho a escrever, pra você ler, pro mundo ler, pra Deus ler… O que mais eu posso fazer com esse sentimento, além de transformá-lo em linhas? Linhas que talvez sejam degraus, e a cada linha fico mais próxima de você, próxima do que um dia nós fomos, e do que poderíamos ter sido, e é triste admitir, mas fico próxima de algo que é longe demais para eu alcançar. Me ponho a escrever porque cada letra é uma lágrima, cada oração é um aperto no peito, cada parágrafo é a falta de ar, e cada texto é a morte. Não sabias que desde que você se foi eu morro um pouco a cada dia? Morrer a prestação é o preço que se paga por amar demais, e ser amado de menos.  

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