
Como vai você? Acredito que bem né, vem fazendo sucesso até hoje no mundo todo, ainda mais agora que te devolveram os seus “merecidos” créditos.
Já eu não estou nada bem, e pra ser honesta, a culpa é sua!
Que idéia mais infeliz essa sua de inventar um meio rápido e fácil de comunicação. Da onde você tirou a idéia de que é bom ouvir a voz das pessoas? Acho que você não imaginou como seria ruim ficar esperando ligações. Quando elas chegam, tudo bem, agora, quando o telefone não toca, eu tenho vontade, do fundo do meu sofrido coração, de construir uma máquina do tempo, voltar no ano de 1860, e te dar umas boas bofetadas quando você mencionou as palavras “telégrafo falante”. Eu entendo que você o criou para poder se comunicar com a sua esposa, mas alguns caras não fazem isso hoje em dia.
Eu tô aqui, pleno sábado a noite, esperando que essa sua engenhoca toque. Esperando que ele me ligue pra salvar a minha noite. Quem diria hein, sua invenção salvando e destruindo noites de garotas pelo mundo a fora…
É tão angustiante não ouvir o toque do telefone, saber que ele tem meu número, que ele sabe meu DDD (você sabia que criaram DDD?), que ele tem todos os recursos necessários para efetuar uma ligação interurbana, mas ele simplesmente não liga, não disca, não nada. Meu telefone parece até estar triste também, ele têm tocado extremamente baixinho ultimamente, e eu desconfio que é tentando ser discreto para que eu não o ouça, afinal, até mesmo telefones se cansam de ser xingados, e eu já acabei com parte da pintura dele com minhas lágrimas. Meu telefone não gosta mais de mim, ele ainda menos, e eu quase nada de você.
Claro que não posso deixar de agradecer pelos bons momentos que o telégrafo falante já me proporcionou, como as noites em que durmi ao som da voz dele, as ligações escondidas às três horas da manhã, os bom dias e os boas noites tantas vezes desejados… Ah como eram boas essas ligações. Só que agora tudo é um grande silêncio, as paredes ecoam a falta de “ring ring”, o cinza dos dias esfrega na minha cara que ele não me liga a meses, e tudo isso vem me corroendo por dentro.
Tive uma idéia genial, e espero que você a leve em consideração, e não me venha com atrasos. Proponho que, em forma de pedido de desculpas à mim e à todas as pessoas do mundo que nesse momentos esperam uma ligação de alguém, você, ilustríssimo Antonio, construa a máquina do teletransporte, ou qualquer coisa parecida, porque a angústia dos telefonemas já está fora de moda, e essa minha tristeza fica a cada dia mais ultrapassada.
Aparece por aí qualquer dia, e por favor, com uma nova tendência nos meios de comunicação.
Com carinho, tristeza, e uma raivinha, Nathália Dhafine.
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