
Acordei com o sol que entrava pela janela incomodando meus olhos, e só após forçar um pouco a memória e a consciência foi que percebi onde eu estava. Quando olhei para o lado, vi o rosto de um cara quase que estranho para mim e nossas roupas pelo chão, junto a várias garrafas de bebida. Porque eu continuava fazendo aquele tipo de coisas? Não adiantava, e o pior, não me satisfazia mais...
Após constatar que havia feito outra merda em menos de uma semana, comecei a chegar às mesmas conclusões de sempre, “Não se parece com ele”, “Não faz amor como ele”, “Não beija como ele”... Me lembrava de poucas coisas sobre o cara deitado ao meu lado, mas essas poucas coisas me fizeram sentir nojo. Não dele, de mim. Não adiantava procurar o que eu sentia pelo meu grande amor em qualquer sorriso simpático que eu encontrava nas baladas e não adiantava me perder entre lençóis e carinhos levianos, se na manhã seguinte a dor e o sentimento de culpa me encontrariam de novo. Não adiantava porque não era ele, e não seria nunca mais. Esses pensamentos passavam pela minha cabeça como uma lâmina passando pelo corpo, me cortando, me fazendo sangrar, me fazendo sentir a dor da ausência.
Não vi mais nada que eu pudesse fazer a não ser aceitar que eu vou passar o resto da minha vida dormindo com caras idiotas, esperando que algum dia algum deles me faça sentir como só ele conseguia, esperando que algum dia essa lâmina pare de passar pelo meu corpo, e esperando que ele suma tanto dos meus pensamentos quanto do meu coração, pois da minha vida ele já sumiu.
Dei mais uma olhada para o cara ao meu lado, e embora fosse um estranho, estava ali comigo... Era melhor do que estar sozinha... Peguei a mão dele, coloquei sobre o meu rosto, e voltei a dormir, só pra tentar sonhar com quem eu realmente queria estar.
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