
Desde pequena fui uma pessoa de muitas paixões, sendo a primeira dela aos cinco anos de idade. Jamais esquecerei o dia em que aqueles lindos olhos azuis me fitaram dentro da igreja, me apresentando em um piscar de olhos, literalmente, a minha primeira (de muitas) paixões. Chamo de paixão pois são todas passageiras, nenhuma delas permaneceu, nenhuma delas conseguiu se metamorfosear em amor, e digo que são muitas, pois realmente são, e não pensem que sou uma maria-sem-vergonha por isso, na verdade, sou apenas humana. Sorrisos, olhares, jeitos de jogar o cabelo, jeito de falar meu nome... Coisas assim me encantam, e transformam caras que nem sabem meu nome em donos da minha cabeça por dias, mas não foi sobre isso que vim falar aqui. Hoje vou falar sobre uma lição que aprendi graças à todas essas paixões, então, vamos ao que interessa.
Como disse no começo, desde pequena fui uma pessoa de muitas paixões, e na minha pré-adolescência quando um ou outro permanecia na minha vida por mais que duas semanas, eu tratava de querer saber tudo dele, tin-tin por tin-tin. Gosto musical, signo, prato preferido, cor que mais agrada, filme que marcou, música da infância, com quantos anos deu o primeiro beijo, time do coração, altura... Ufa, eram tantas coisas, e claro que a minha cabeça de garota avoada jamais decoraria tudo. Então eu fazia o que? .... Uma listinha! Isso mesmo, fazia como se fosse uma ficha de polícia, com todas as informações que eu tinha sobre o menino da vez. E sei que agora vôcê deve estar pensando que eu era bem retardada, e eu era mesmo, mas hoje em dia vejo graça nisso, eu era pequena, queria saber tudo dos caras que eu achava que iria casar um dia, era normal, pelo menos pra mim. Enfim, retomando, eu fazia essa listinha, e lia, relia, lia de novo, e ia dormir lendo, por noites a fio, a fim de decorá-la, a guardava em baixo do travesseiro para ninguém achar, e passava os dias pensando e pesquisando mais itens para incrimentá-la. Mas a verdade é que eu nunca soube todas aquelas coisas, eu as copiava e colava, como fazemos tanto na internet hoje em dia, mas nunca tinha absorvido nada verdadeiramente. Foi à essa conclusão que cheguei tantos anos depois. Eu não conhecia nenhum daqueles meninos, conhecia apenas seus olhos azuis e gostos musicais, mas quem ele realmente são eu jamais soube. E vocês querem saber o porque? Por que quando conhecemos uma pessoa, nós sabemos as coisas naturalmente. Sem perceber você compra uma camisa pro cara da cor favorita dele, e sem precisar mentalizar que aquela é a tal cor. Você escolhe o filme da sessão de sábado, e inconscientemente, é um filme do estilo que ele também gosta. Você sabe que o sorvete favorito dele é o de Milho-verde porque sempre tomam juntos, e não porque escutou alguém falando e memorizou só para ter certeza de que o conhece.
É um sentimento único esse de estar em sintonia com alguém, de conhecer cada detalhe no seu modo mais indefeso e puro, e confesso que esses relacionamentos superficiais de hoje em dia me desanimam, porque não existe mais essa sintonia, é tudo muito rápido, tudo muito preocupado com a imagem, mas eu não me canso de esperar pela pessoa que estará na mesma frequência que eu, para não precisar de lista, de blocos de notas, nem nada parecido, apenas ele e eu, e o resto a gente vai saber só de olhar nos olhos um do outro. Eu ainda acredito no amor.
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