No meio da noite.
Eu perdi o meu gatinho hoje.
E não adianta procurar, eu perdi ele mesmo.
Na hora que meu irmão me contou, fiz a única coisa que saberia fazer naquele momento: comecei a chorar. Chorei por mais de meia hora, fiquei com o rosto inchado e vermelho, mas foi a única coisa que fiz. Meu gatinho gente, meu Meia Noite, batizado assim por ser "escuro como a meia noite", como disse o Daniel. O meu gatinho que nunca me deixou pegar ônibus sozinha, sempre foi comigo para o ponto, fosse 7 da manhã ou meia noite, assim como ele. Ele não podia ver ninguém da minha família assistindo televisão que vinha se esfregar no nosso pé, e acabou por conquistar até meu pai que nunca gostou de gatos. Inclusive, foi indo atrás do meu pai que ele foi embora. Ele veio para a nossa família de um jeito diferente, nós não o compramos (e sou contra a compra de gatos, sei lá, nao os vejo como produtos, gosto de pegar gatos na rua, comprar é pra bolsas e sapatos), mas também não o pegamos na rua, ele simplesmente chegou aqui. No começo vinha apenas roubar a ração do nosso cachorro, que foi até o fim de seus dias a sua comida favorita, não importava quanta ração e leitinho déssemos, e com essas vindas frequentes agindo como um gatuno, foi ficando, a gente foi gostando dele, e ele de nós, até que demos um nome. Pronto, dar nome é pegar sentimento, igual quando damos apelidos carinhosos para alguém. Na verdade, quem deu o nome foi meu cunhado made in U.S.A, mas nós adotamos. Ficou "Meia noite, pspspspsps" para lá e para cá. E o sentimento foi crescendo durante todo esse tempo, ele sempre muito companheiro, carinhoso com todos, era demais abrir meu guarda roupas e ver que ele tava dormindo em cima das minhas calças jeans, e mesmo tendo que lavar tudo sem nem ao menos ter usado, eu lavava feliz por ter um gato. Eu adoro gatos, sempre gostei. Aliás, esse é meu terceiro gato que vai embora. Mas enfim, voltemos à breve biografia do Meia Noite. Ou melhor, não sei se falo "do" ou "da" porque nem nós nem nenhum veterinário nunca conseguiu descobrir se era macho ou fêmea, o que prova que essa parada de sexo seja pros animais racionais ou para os irracionais, não tem nada a ver, amor a gente sente pela alma da pessoa, não pelo que ela carrega entre as penas, ou entre as patas. Ele tinha um jeito bem macabro de nos agradar, sempre chegava na porta de casa fazendo o maior escândalo com ratos e pássarinhos mortos, e ficava se exibindo para a gente, como se fosse um presente, e mesmo ficando brava na hora, era um presente tê-lo conosco. Minha alegria era chegar do trabalho e dar oi para ele, ou pegar o ônibus da facul e ele sempre, SEMPRE, ficar comigo no ponto, roçando na minha perna. Não cheguei a vê-lo indo embora, mas talvez seja melhor assim. Eu nunca irei esquecê-lo, assim como toda a minha família, que o amava muito, embora ele merecesse algumas broncas as vezes por subir na pia e na mesa, haha, mas quem ama briga né? Lembro que quando eu inventava de colocar laços no pescoço dele, ele ficava igual a uma estátua, puto da vida comigo, eu sei, mas nunca me mordeu. Mordeu meu pai, porque ele pisou no rabo dele, mas também, quem gosta de ter o rabo pisado, né? Enfim, sei que ele não pode ler, e nem me ouvir mais agora, mas quero prestar aqui a minha última homenagem ao meu melhor amigo de quatro patas, que vai deixar uma saudade imensa em cada um dos oito corações dessa família que o conheciam, e que agora são testemunhas vivas de que gatos pretos não afastam a sorte.
Eu te amo Meia Noite, obrigada por ter feito a minha vida e a vida da minha família mais feliz, você era incrível! ♥
Obs.: Essa foto foi tirada na última tarde de vida do meu pretão lindo.
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Aqui, uma pequena judiação que minha sobrinha fez com ele uma vez, mas com muito amor claro. Ela também era louca pelo "Dato da vovó".
http://www.youtube.com/watch?v=XpzBkbkpPvw
Miau....miau...sou um gato pretinho que precisa de uma dona como vc...quer me adotar?
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