O relógio apitou, estava marcando seis horas no seu modo a.m, mas eu não tinha sono, não queria dormir, ou talvez quisesse, mas com a condição de não acordar mais.
As paredes do quarto pareciam aproximar-se mais de mim a cada tic e me sufocavam mais a cada tac, e o ponteiro impiedoso esfregava na minha cara que atitudes erradas nos fazem perder o sono. Eu queria voltar no tempo, menos três horas no relógio, menos três horas na vida e menos três horas de burradas. Ou o meu relógio poderia marcar as probabilidades das minhas escolhas darem errado, onde o "1" indica que tudo vai ficar bem e o "12" de que eu irei me arrepender quando enfiar a cara no travesseiro.
Porque o tempo não anda conforme queremos? Porque o tempo não para? Entendo a angustia do Cazuza ao cantar aquela música... Talvez ele estivesse como eu, querendo mudar uma vida inteira mas percebendo que era tarde demais. Mas nada disso muda as coisas, minhas análises, devaneios, constatações e toda essa porcaria que a nossa mente cria não vai fazer com que as coisas tenham ido por outro caminho, então resta viver mais essa semana com lembranças pesando fortemente e o resto da vida com resquícios delas vez ou outra. E pra passar o tempo? Álcool, meus amigos, álcool.
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