segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Heroína do séc. XXI

407796_2460275512251_1413081475_32384398_1560824972_n_largeNão tinha motivos para parar, então eu continuava.
Sei que se meus pais pudessem me ver, sentiriam vergonha por eu ser filha deles, e sei que se meus ex namorados soubessem sentiriam nojo por já terem saído comigo, mas que se danem todos, dane-se o que esperavam de mim.
Apesar de manter minha profissão em segredo, não me faço de santa, e faço o que faço pelo prazer de não sentir prazer. Quem deita na minha cama não significa nada para mim além da vida luxuosa que tenho. Carro, apartamento próprio, as roupas que quero, viagens... Tudo pago, literalmente, com meu suor.
Eu já tive aqueles sonhos femininos-fabricados, queria filhos, família e uma casa com cerca branca, mas hoje meu valores mudaram, e digamos que aumentaram. Todos os caras são uns babacas, te chamam para sair apenas para transar com você, porque não tirar proveito disso? Ganho meu dinheiro e os poupo de cantadas ensaiadas durante o banho, nós sempre vamos direto ao ponto, mas nunca o G. E não é por eu ser uma modelo noturna que eu sou uma imbecil fútil. Tenho meus objetivos, sou uma pessoa pé no chão. Estudo e trabalho como qualquer outra, e dou muito valor aos meus estudos, adoro leitura, arte, boa música, bons vinhos e nada de ressaca. A verdade é que sou mais focada sendo uma prostituta do que muita garotinha que vende perfumes em lojas chiques do shopping. Eu sei quanto vale meu corpo, sei que a mercadoria que eu vendo é única, não podem roubar minha essência e enfiá-la em um frasco, está tudo dentro de mim. E claro, não é bem a carreira que eu sonhava exercer aos 15 anos, queria ser atriz, atuar em grandes teatros e ter meu rosto estampado em posteres pela cidade. Mas no fim das contas eu fui para o ramo da atuação, finjo prazer  em média duas horas por pessoa, e elas parecem acreditar, pois saem satisfeitas e sempre voltam, até sei o nome de alguns. E tenho meu rosto estampado em mentes alucinadas com meu beijo e cansadas de suas vidas chatas. Eu salvo, pelo menos por um dia, a vida de alguém. Será esse o super poder das  heroínas do século XXI? Sexo? Bem, se for, então eu sou uma delas, muito prazer.

Um comentário:

  1. - Não se compra amor. Esse tipo não vale nada. "Amor" não tem preço...
    Ela sorriu.
    - "Transar" sempre tem preço. Sempre. Não necessariamente dinheiro, Anjin-san. Mas um homem sempre paga para "transar", de um modo ou de outro. Ao verdadeiro amor nós chamamos dever, é de alma para alma e não necessita de expressão, da expressão física, exceto talvez a dádiva da morte
    (James Clavell - Xogun)

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