Quando eu cheguei no centro da cidade e vi todas aquelas pessoas felizes e luzes coloridas pipocando em todos os cantos, entendi o porque de ninguém querer ficar sozinho no natal, e acho que só entendi melhor porque eu estava sozinha. As vitrines tinham belas decoraçoes, com papais noéis de todos os tamanhos e renas internamente sorrindo para quem as olhava. As árvores da cidade, mesmo as não artificais, estavam decoradas com grandes bolas vermelhas e douradas e pisca-piscas, dando a impressão de que estávamos em um grande céu onde as estrelas se revezavam. Entre esses devaneios, tive vontade de tomar um café, entrei em um bar e sentei-me sozinha em uma mesa próxima à janela. Bebi meu café tão lentamente que no último gole ele já estava frio, mas toda aquela situação natalina me deixou um pouco triste, e quando estamos tristes os cafés devem ser demorados. Pra quem eu daria feliz natal naquela noite? Quem iria me dar um presente e dizer "espero que você goste, porque eu sei que vai servir, conheço suas medidas"... Quem iria sentar em uma grande mesa cheia de comidas e frutas decorativas para ceiar a meia noite? Eu não tinha ninguém. Todos os caminhos tortos que peguei durante a vida me levaram para esse natal solitário, para esse bar onde todos estão empolgados com suas próprias vidas, e eu empolgada com a vida deles. Loucura não? Eu não pensava que passar datas assim sem alguém fosse tão triste, há uns dois ou três anos atrás isso nem passava pela minha cabeça, sempre ia para festas e ficava rodeada de pessoas em natal, réveillon, páscoa... Mas o tempo passou e me mostrou que talvez eu estivesse mais sozinha nas festas, com pessoas fúteis que não se importam com o que sou, do que naquele bar pequeno e barato em uma mesa de madeira corroída pelo tempo, assim como eu estou por dentro; Paguei minha bebida, peguei minha bolsa e voltei para a rua, sem saber exatamente aonde deveria ir, mas de longe avistei uma igreja linda, que provavelmente está naquela cidade a mais tempo que eu estou viva, mas passa despercebida todos os dias pelos olhares apressados de muita gente. Senti uma vontade muito forte de vê-la mais de perto, e ao me aproximar senti uma energia tão boa emanando de dentro dela que resolvi entrar. Estava acontecendo uma missa natalina, escolhi um lugar e me sentei. Não fazia idéia de quanto tempo estava sem entrar em uma igreja, mas mesmo assim me senti em casa. No fim das contas, Jesus é mesmo o único que jamais nos abandona, que nos conforta quando o resto do mundo é incapaz de fazer isso, e que mesmo no dia do Seu aniversário não tira folga e nos presenteia com Seu amor. Ali, dentro daquela igreja, não me senti mais sozinha, eu estava em paz, e embora daquela porta para fora eu não tivesse mais nada, ali dentro eu tinha, tinha Ele, e foi assim que tive o melhor natal da minha vida.-
Feliz Natal à todos!
s2
Feliz Natal Nathy
ResponderExcluirEmbora a solidão nos assalte nesses dias emblemáticos, esperamos sempre encontrar alguém que não nos esqueça, que nos queira bem e nos admire, uma alma nesse mundo que esteja em algum lugar pensando em nós...
Aquele que jamais te abandonará, talvez não seja a figura divina que os seres humanos costumam adorar cegamente...
Espero que vc encontre, em 2012, uma pessoa de carne e osso, cheia de defeitos e de maravilhosas virtudes, que sorria e que também chore, que te ame e que te aborreça com ciúmes de sua juventude e de sua beleza...antes que o mundo seja consumido pela profecia do fim dos tempos....