
Meu coração foi partido há uns anos atrás, e doeu, doeu demais. Não tinha pra onde correr para aliviar aquela dor, então corri para a praia. O mar fez com que eu não me sentisse tão sozinha, pensei que talvez a sua água fosse salgada por que as sereias choram pela falta de um amor verdadeiro, um amor que elas não matem, e eu chorava pelo mesmo motivo, pois nem sabia ao certo se quem havia partido meu coração era ele ou eu mesma, mas sabia que eu não queria sentir aquele buraco no peito nunca mais, e ali, sentada na areia da praia, com o corpo parcialmente molhado pelas ondas, fiz um pedido bem baixinho que era tão verdadeiro quanto simples:
"Mar, lava esse amor de mim, lava todo amor, não quero amar nunca mais, só minha família. Ah mar, amar da trabalho, não quero me apaixonar nunca mais."
As ondas sempre foram minhas amigas, desde que eu era pequena, me ensinaram sobre força, sutileza, magia, e eu sempre as respeitei, talvez por isso levaram meu pedido para as profundezas do oceano e meus desejos se realizaram. Ao me levantar dali meu peito já não doía, quem antes era motivo de choro já não significava nada, apenas um alguém que passou pela minha vida e se foi. E nos dias, meses e anos seguintes não houve uma pessoa sequer que conseguisse fazer com que eu sentisse borboletas no estômago outra vez. Me tornei tão fria quanto a água do mar e tão dura quanto as rochas onde ela bate mas minha alma ficou leve como a areia que complementa tudo isso. A ausência de amor me deixou mais feliz. Mas dá pra ser feliz sem amor? Eis a questão que está no (m)ar até hoje...
foda isso né!? tem coisas que só o mar vai entender, coisas que só a praia vai aliviar! ainda bem que moramos aqui, onde o mar é tão lindo e amigo!
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