domingo, 27 de maio de 2012

Todas as histórias de amor

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       Se conheceram em uma reunião de pais, mas não eram pais. Eram filhos e foram acompanhar os irmãos. Para isso que servem os filhos e irmãos, não é mesmo? Para irem em reuniões e se apaixonarem.

- Tão nova e com uma filha dessa idade? - Tentou puxar assunto da forma mais cretina possível, mas a única viável.
Ela sorriu. Deu certo.
- Ainda bem que não é minha, e você, pai solteiro?
- Solteiro sim, pai não, haha.
- Eu nunca presto atenção em nada do que essas professoras loucas falam, só venho mesmo para assinar a lista de confirmação.
- Nossa, eu também, fico escutando música, viajando, mas nunca ouvi um A do que elas disseram... Qual seu nome?
- Ana Flávia, e o seu?
- Henrique. Vai fazer o que quando sair daqui?
- Acho que vou levar minha irmã até o parque um pouco, e você?
- Jamais deixaria duas meninas sozinhas na rua, vou com vocês!


       Não viram mais a reunião e o tempo que em outras ocasiões se arrastava, saiu voando pela janela. Quando perceberam já estava escurecendo, e seus irmãos estavam encardidos da sujeira do parque, mas a vontade de ir embora simplesmente não existia. Conversaram esse tempo todo sobre as histórias da infância, viagens de férias... Descobriram que estudaram na mesma sala na 1ª e 3ª série e que já moraram na mesma rua. Destino? Não importava, porque se não fosse, eles dariam um jeito, e se fosse, eles aceitariam. Precisavam se ver de novo.

- E amanhã, o que você vai fazer? - Ele perguntou sem saber se estava fazendo a coisa certa.
- Escola, aula de música e mais nada o resto do dia... Nós podíamos nos ver, o que acha?
Ele fez a coisa certa, e ela, embora nunca desse o primeiro passo, sentiu-se tão à vontade com ele que pode dizer o que sentia, e era uma imensa e incontrolável vontade de vê-lo assim que o dia amanhecesse.
- Então, vamos nos encontrar aqui às três horas, tá bom pra você?
- Tá sim, ótimo! Às três horas aqui!
- Combinado então!
- Agora vou indo, senão minha mãe vai pensar que fomos sequestradas.
- Não quer que eu te leve até em casa?
- Não precisa, eu moro aqui perto, e já está tarde para vocês também.
- É, então, até amanhã
- Até!

        Se despediram sem beijos no rosto, embora o desejo fosse a boca, mas sabiam que havia rolado uma química que cientistas e estudiosos jamais explicariam, química no olhar, no cheiro, no jeito como ele "sem querer" colocava a mão sobre a dela durante as conversas. Foram embora desejando ficar mais,  é esse o sentimento que sempre faz com que as pessoas voltem na hora marcada, e assim nascem todas as histórias de amor.

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